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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Isotopia Cultural

A felicidade abaçanada
reluz na abadia abandonada;
reduz a abacial ruína em nada
na modernidade já condenada.

Pois, estamos no século da luz
defronte toda a eternidade:
nossas crenças já não jaz numa cruz
senão nos remédios de ansiedade.

Da inteligência artificial
ao saneamento básico que falta;
rompendo a sociedade atual

―uma distopia que se exalta
e parece dizer todo o final:
em qualquer era o mal-estar tressalta.


domingo, 14 de março de 2021

Amor de perdição

A solidão que olhava Joarez
Ecoava na alma de Beatriz.
E ao olhá-lo em sua timidez
Ela que o ama: nada lhe diz!

Ama-o, de fato, mas também teme.
O que se sobra de um coração em chamas?!
Do miocárdio que ao vê-lo: treme!?
E Joarez, caro leitor, a ama?

Joarez ama a todas igualmente.
Pobre de Beatriz que ama um boêmio...
Mas a vida é assim: indiferente.

Ele que às grandes paixões é abstêmio;
Ela que arde ao vê-lo de repente
Seduzindo-a como qualquer prêmio.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Manifesto Literário

Venha a mim Deusa da Literatura
sangrar-me na tua benevolência,
estraçalhar-me em tua cultura,
abençoar-me em tua onipotência.

Abdico-me da realidade
da qual este universo é feito
para orbitar em tuas verdades
na glória do belo e do perfeito.

Venha a mim Deusa da Literatura;
a quem jamais abandonar-te-á
nem às tuas sagradas escrituras.

Que pro inferno todo o resto vá!
Venha a mim Deusa da Literatura!
A quem por ti sacrificar-se-á!

Como a lua, tão bela...

Profana a chuva o solo;
violenta a face o vento;
caem as lágrimas ao colo;
sopra a dor o pensamento.

Alguns amores de verão
não sobrevivem ao outono,
despedaçando-se no chão
lentamente ao abandono.

Exploda, então, euforia!
Sufoca, então... alegria.
Afoga, então: calmaria...

Foi a lua quem foi iludida
com esse amor suicida.
―A vida... tem de ser vivida!