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Scientia potentia est.
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
O Instagram, as mulheres e relacionamentos
domingo, 22 de maio de 2022
O triunfo ― Clarice Lispector
-Luísa: pp presente
-Jorge: pp ausente
Narração:
-Terceira pessoa onisciente
O conto começa com uma descrição espaço-temporal genérica, introduz o tempo através do badalar das 9h do relógio e acompanha os espaços através dos raios de sol. Isso é um recurso interessante pois nos conduz de um lugar genérico, de algo indiferente para o contexto do conto através da movimentação do objeto descrito.
Luísa remete, ao acordar-se, à introdução do § anterior dando coerência narrativa e progredindo na história. A narração no §2 acompanha o seu conteúdo, uma vez que ela vai e vem sem compromisso, relatando o estado de espírito de Luísa que acaba de acordar e parece não saber muito bem onde está com o ambiente, as distrações…
No §5 Luísa começa a se referir a Jorge, que fora embora na tarde anterior. Em reflexão, Luísa nos revela, nesse momento, sua dependência emocional de Jorge. Também nos mostra sua insegurança ou sua fragilidade diante do abandono, neste momento do conto. Jorge é descrito como o intelectual interrompido pelas considerações mundanas de Luísa e, que por isso, a abandonara. Luísa, segundo a narrativa, o distraía.
Há a descrição de que tais ameaças de abandono e discussões eram frequentes. E sob a ameaça da partida de Jorge, Luísa perdia sua dignidade pedindo à sua companhia, que ficasse. E Jorge acedia. E, por causa de uma observação sobre o tempo, que cortara o raciocínio de Jorge, Jorge partira.
Luísa é descrita como calma exagerada diante da partida de Jorge, perguntando-se “E agora?”. Nesse momento somos levados à impressão de que Luísa está em choque com a partida, incapaz até mesmo de cair em prantos ou maiores demonstrações de afeto.
Luísa no dia seguinte, de um dia sem saber o que fazer com a partida de Jorge, acorda perto do meio dia. Fora dormir tarde. Levanta-se e em última tentativa o procura pela casa. Encontra uma confissão de Jorge sobre a sua falta de atenção e mediocridade. Isso marca Luísa, revela-lhe a fraqueza de Jorge.
A partir daí, Luísa começa a se recuperar da ressaca da partida de Jorge. A partir dessa observação que ela tivera sobre a fraqueza dele. Aqui a narrativa, novamente, acompanha o estado de espírito de Luísa. Perpassa o ambiente rapidamente, num ritmo narrativo mais célere, e de modo mais positivo; e não neutro como no §1.
Luísa desenvolve-se nas atividades diárias, liberta-se de Jorge e no final do conto exclama que Jorge voltará. E voltará porque ela era a mais forte.
Temos com isso, a evolução do pp Luísa. Que no início era dependente, ignorava sua própria dignidade por Jorge e vivia em função de Jorge, para que, a partir das anotações de Jorge, Luísa percebesse sua condição em relação a ele, libertando-a de sua posição. Porém a impressão que fica é a de que ela não quer que Jorge se ausente da sua vida, mas que se ele voltar ela não mais cederia aos seus caprichos, não mais se colocaria em uma posição submissa aos afetos de Jorge. O que Luísa alcança é a maturidade no relacionamento, talvez na forma como ela se coloca diante de outro homem. Este é um final positivo para Luísa, ainda que nos fique aquela sensação amarga na boca após o “final positivo.” Não é um final feliz, no senso comum da palavra. Mas é um final bem construído, sem dúvidas.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
O Morro dos Ventos Uivantes
O protagonista da história, Heatchcliff é ao mesmo tempo personagem principal e vilão da história. A história começa com ele e termina nele. É, sobretudo odiado por quem lê, mas que se não fosse por ele, não haveria o que ser lido.
Esse tipo de literatura, onde o vilão é o personagem principal (PP) é delicada e pode ser um fracasso a depender da evolução da história. Entretanto, a narrativa é satisfatoriamente bem construída a contextualizar a vilania de Heatchcliff. Há algumas perguntas que não são respondidas; como, quem é Heatchcliff e porque Earnshaw o resgatou, porque a irmã do sr. Edgar apaixonou-se por Heatchcliff e o que Heatchcliff fez durante o tempo que se ausentou do Morro dos Ventos Uivantes; mas, de modo geral, a trama é capaz de conduzir o leitor a exatamente aquilo que o leitor precisa saber. Se peca um pouco pela falta, não peca pelo excesso; não há desperdícios e enrolações durante o enredo.
sábado, 11 de dezembro de 2021
A Batalha do Apocalipse por Eduardo Spohr
Sob certo aspecto, é engraçado a releitura após muito tempo. Sob outro, é triste. E por último, é bom que assim seja.
É engraçado, porque, hoje, há muitos aspectos que já não lembro mais, apesar de lembrar do contexto e do fio da meada. É triste, porque isso significa que daqui 10 anos, provavelmente já não mais me lembrarei das aventuras de Ablon e Shamira. E por último, é bom porque a cada nova leitura nos aprofundamos (ou somos capazes disso se assim desejarmos) no enredo e no universo literário. A cada releitura, uma nova leitura.
sábado, 25 de setembro de 2021
quarta-feira, 21 de julho de 2021
Ensino Presencial e EAD
O objetivo dessa dissertação não é defender nem tentar influenciar propostas ideológicas, políticas, judiciais ou questões de matrimônio. (sarcasmo) Quero apenas refletir sob os aspectos que me fizeram sair de um em detrimento do outro.
Faltam poucos meses para igualar o tempo que passei em EAD e Presencial em Letras. E, analisando minha trajetória, acredito que a revolução tecnológica possibilitou que pessoas como eu pudessem se tornarem mais livres das burocracias e desperdícios de tempo que ocorrem nas presencialidades do ensino. O que eu quero dizer com isso?
quinta-feira, 15 de abril de 2021
100 Segredos das pessoas felizes - David Niven
A lição que eu aprendi foi que não é porque um livro tem boas vendas que ele necessariamente é bom. Não estou dizendo que todos os mais vendidos sejam ruins, mas que uma coisa não tem a ver com a outra. E esse relato meu aqui, espero eu, é para que você não gaste o seu dinheiro com um livro que não vale a pena. Porque apesar de ser defendido por alguns, com unhas e dentes inclusive, não é porque um livro é livro que ele está acima do bem e do mal, do belo e do vulgar. E eu acredito que nós, leitores, precisamos tocar nessa ferida, nesse elefante no meio da sala que ninguém parece querer notar.
Eu acredito que muitos dos problemas que a sociedade leitora do nosso país enfrenta é em parte pela covardia dos críticos literários, em parte pelo descaso dos acadêmicos de letras que desprezam a nós leitores. Sabe aquele artigo de crítica, que você lê 15 páginas sobre a obra cheio de referências, conceitualizações, relativizações, e que chega no fim do artigo e não deu pra saber se o crítico achava bom, ruim, ou qualquer ponto entre esses dois polos? Pois é, eu tenho a impressão de que esses acadêmicos me acham otário, do mesmo modo que “críticos” de prefácio que acham qualquer livro duvidoso, cujo um escritor de fanfic seria capaz de fazer melhor, sendo apresentados como um novo Balzac ou Cervantes. Então ultimamente eu tenho ficado meio chateado mesmo. Deve ser a idade.
Análise e crítica literária
Dia a dia
Isotopia Cultural
reluz na abadia abandonada;
reduz a abacial ruína em nada
na modernidade já condenada.
Pois, estamos no século da luz
defronte toda a eternidade:
nossas crenças já não jaz numa cruz
senão nos remédios de ansiedade.
Da inteligência artificial
ao saneamento básico que falta;
rompendo a sociedade atual
―uma distopia que se exalta
e parece dizer todo o final:
em qualquer era o mal-estar tressalta.
terça-feira, 16 de março de 2021
Tratado do blogue
domingo, 14 de março de 2021
Amor de perdição
sexta-feira, 12 de março de 2021
Manifesto Literário
sangrar-me na tua benevolência,
estraçalhar-me em tua cultura,
abençoar-me em tua onipotência.
Abdico-me da realidade
da qual este universo é feito
para orbitar em tuas verdades
na glória do belo e do perfeito.
Venha a mim Deusa da Literatura;
a quem jamais abandonar-te-á
nem às tuas sagradas escrituras.
Que pro inferno todo o resto vá!
Venha a mim Deusa da Literatura!
A quem por ti sacrificar-se-á!
Como a lua, tão bela...
violenta a face o vento;
caem as lágrimas ao colo;
sopra a dor o pensamento.
Alguns amores de verão
não sobrevivem ao outono,
despedaçando-se no chão
lentamente ao abandono.
Exploda, então, euforia!
Sufoca, então... alegria.
Afoga, então: calmaria...
Foi a lua quem foi iludida
com esse amor suicida.
―A vida... tem de ser vivida!
O vazio
A jornada literária é uma incógnita atormentadora. Quanto mais me aprofundo nela mais longe pareço estar de qualquer compreensão sobre a própria literatura. Já fazem pelo menos 7 anos de indas e vindas, de mim para a literatura, da literatura para outras preocupações. Eu não sei exatamente o que acontece comigo.
Veja, o primeiro livro que li que por conta própria e fui até o fim foi Menino de Engenho, numas férias no sítio do meu avô; devia eu ter entre 10 e 12 anos. Tive uma ou outra leitura durante meus anos colegiais, mais do que os outros alunos da minha idade liam (ou seja, nada), menos do que a maioria dos melhores alunos do colégio. Até hoje eu leio pouco, em termos de quantidade de páginas. Provavelmente o ponto de virada foi por volta dos 15 anos quando li Divina Comédia; e foi mais ou menos por aí que comecei a criar blogues para expor meus poemas e reflexões do óbvio (queimaria todos os meus cadernos de poesia e excluiria todas as postagens mais tarde). Até então, nunca tinha visto tamanha demonstração da sutileza humana; Dante tem seu mérito. Depois, Guerra e Paz viria a ressignificar meus parâmetros por volta dos 18 anos enquanto cursava engenharia.
