Personagens:
-Luísa: pp presente
-Jorge: pp ausente
Narração:
-Terceira pessoa onisciente
O conto começa com uma descrição espaço-temporal genérica, introduz o tempo através do badalar das 9h do relógio e acompanha os espaços através dos raios de sol. Isso é um recurso interessante pois nos conduz de um lugar genérico, de algo indiferente para o contexto do conto através da movimentação do objeto descrito.
Luísa remete, ao acordar-se, à introdução do § anterior dando coerência narrativa e progredindo na história. A narração no §2 acompanha o seu conteúdo, uma vez que ela vai e vem sem compromisso, relatando o estado de espírito de Luísa que acaba de acordar e parece não saber muito bem onde está com o ambiente, as distrações…
No §5 Luísa começa a se referir a Jorge, que fora embora na tarde anterior. Em reflexão, Luísa nos revela, nesse momento, sua dependência emocional de Jorge. Também nos mostra sua insegurança ou sua fragilidade diante do abandono, neste momento do conto. Jorge é descrito como o intelectual interrompido pelas considerações mundanas de Luísa e, que por isso, a abandonara. Luísa, segundo a narrativa, o distraía.
Há a descrição de que tais ameaças de abandono e discussões eram frequentes. E sob a ameaça da partida de Jorge, Luísa perdia sua dignidade pedindo à sua companhia, que ficasse. E Jorge acedia. E, por causa de uma observação sobre o tempo, que cortara o raciocínio de Jorge, Jorge partira.
Luísa é descrita como calma exagerada diante da partida de Jorge, perguntando-se “E agora?”. Nesse momento somos levados à impressão de que Luísa está em choque com a partida, incapaz até mesmo de cair em prantos ou maiores demonstrações de afeto.
Luísa no dia seguinte, de um dia sem saber o que fazer com a partida de Jorge, acorda perto do meio dia. Fora dormir tarde. Levanta-se e em última tentativa o procura pela casa. Encontra uma confissão de Jorge sobre a sua falta de atenção e mediocridade. Isso marca Luísa, revela-lhe a fraqueza de Jorge.
A partir daí, Luísa começa a se recuperar da ressaca da partida de Jorge. A partir dessa observação que ela tivera sobre a fraqueza dele. Aqui a narrativa, novamente, acompanha o estado de espírito de Luísa. Perpassa o ambiente rapidamente, num ritmo narrativo mais célere, e de modo mais positivo; e não neutro como no §1.
Luísa desenvolve-se nas atividades diárias, liberta-se de Jorge e no final do conto exclama que Jorge voltará. E voltará porque ela era a mais forte.
Temos com isso, a evolução do pp Luísa. Que no início era dependente, ignorava sua própria dignidade por Jorge e vivia em função de Jorge, para que, a partir das anotações de Jorge, Luísa percebesse sua condição em relação a ele, libertando-a de sua posição. Porém a impressão que fica é a de que ela não quer que Jorge se ausente da sua vida, mas que se ele voltar ela não mais cederia aos seus caprichos, não mais se colocaria em uma posição submissa aos afetos de Jorge. O que Luísa alcança é a maturidade no relacionamento, talvez na forma como ela se coloca diante de outro homem. Este é um final positivo para Luísa, ainda que nos fique aquela sensação amarga na boca após o “final positivo.” Não é um final feliz, no senso comum da palavra. Mas é um final bem construído, sem dúvidas.
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